Pela igualdade ou pela particularidade?

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Faz um tempo, acho que meses, que venho pensando numa coisa. Me conte você, leitor(a) se isso é só porque sou mulher, classe média, hétero, branca, cristã, paulista, cursando ensino superior em universidade pública, bancada pelos pais..

2015, principalmente, foi um ano em que falamos, ouvimos, lemos e compartilhamos muito sobre minorias, preconceito, machismo, feminismo, homofobia e tantas outros temas relacionados ao ser humano e as formas de nos relacionarmos. E antes de tudo quero deixar claro que acho ótimas e úteis todas essas discussões. A cada novo posto que leio sobre esses assuntos penso e aprendo um pouco mais sobre eles. Mas estou confusa, ou cansada.

Estamos mesmo indo pelo caminho certo rumo à igualdade e liberdade almejadas? Segregar a humanidade em tantos grupos assim é a melhor maneira de fazer as pessoas entenderem que somos TODOS seres humanos? É melhor/mais fácil ensinar o respeito pelo princípio básico de igualdade -pelo simples fato de que pertencemos à mesma espécie- ou pelas particularidades? Na minha cabeça faz mais sentido não matar ou agredir alguém porque a outra pessoa é igual a mim. Nasceu e tem o direito de continuar vivendo. E vivendo da mesma forma ou melhor do que antes de me conhecer ou trombar comigo por aí.

Não deixo de bater na minha avó porque ela é idosa assim como não o faço com amigos porque gays, ou negros, ou ateus, ou gostam de funk, ou porque atrasaram meu desembarque do ônibus, ou qualquer outra pessoa que eu sequer conheça e possa ter algo diferente de mim. Não tenho direito de fazer a essas pessoas o que quer que seja que vá prejudicá-las porque entendo que elas não têm o direito de fazer o mesmo comigo. Somos todos seres de uma mesma espécie, todos formados da mesma maneira (ou quase isso) e com o mesmo direito à vida. À vida como bem entendemos que ela deve ser.

Consideradas essas duas coisas básicas, fico aqui me questionando os prós e contras e cada visão… O que faz desse, um texto extremamente inconclusivo. Mas essa é a parte boa de escrever.

Carta para mim mesma

Uma carta para mim mesma, há cinco anos. (Já que ainda não sou velha o suficiente pra fazer uma pra 10 anos atrás)


Querida Joyce,

Eu sei que a vida às vezes parece muito insossa e cinza. Mas acredite: as coisas sempre melhoram. Se não, ao menos tornam-se mais interessantes.Crianças3

Do alto dos seus 15 anos tudo parece tão certo – a faculdade de arquitetura, o casamento aos 24, trabalho e pós graduação – e ao mesmo tempo tão errado – sua escassez de amizades reais, as coisas que você se força a fazer pra agradar aos outros, o tédio de viver -. Mas relaxe. Não se prenda a nenhum sonho pequeno ou a ideologias que você procura, procura, mas não sabe explicar. Continue sonhando, só isso.

Você vai passar por boas e más experiências. Pense melhor sobre elas. Algumas serão desnecessárias por não acrescentarem nada de bom à sua vida. Mas também não deixe de viver pequenas bobeiras e rir de coisas idiotas. Aliás, nunca faça isso. Aqui no futuro ainda estou tentando aprender a lidar com isso. A me importar menos com conversas bobas e rir mais.

Sobre sua profissão, não se cobre tanto. Nem cobre tanto dos seus pais. Eles te darão apoio nas suas dúvidas e você vai acabar percebendo que eles são ótimos. Não te forçarão a fazer nada que você não queira (desde que eles estejam certos. E eles estarão).

Quanto ao coração, meu bem, apenas siga seus instintos. Às vezes ele estará mais certo do que seu cérebro. Isso te trará felicidades. E só o que eu posso dizer é que reencontrará alguém inimaginável que só te fará bem. Pro resto da vida.

O melhor conselho que posso te dar é: seja assim mesmo. Estranha, antissocial, racional e emocional ao mesmo tempo. A vida vai se encarregar de te ensinar e mudar. Naturalmente, sem esforço, apenas com a dor necessária para te fazer mais forte.

Por último, aproveite ao máximo sua família e amigos. Um dia você terá que viajar pra encontrá-los.

Com carinho,

você mesma.

Adote uma vítima

Foi um comentário quase despreocupado com meu professor de ginástica que me inspirou a escrever o texto que se segue.
“Preciso estar inteira hoje pra ir à manifestação”.”Vai lá jogar bomba na polícia?”

Pode parecer muito simples. Mas não é.

Enquanto na internet temos a possibilidade de ver diferentes versões de discursos pró e contra às atuais manifestações que se espalham pelo país e até fora dele, a mídia tendenciosa continua disseminando suas versões distorcidas dos acontecimentos.

Não é mentira que vândalos se juntam ao povo para causar balbúrdia, ou mesmo manifestantes radicais. Entretanto, muita gente ainda usa o cabresto e ignora o nível de hostilidade na reação da Polícia Militar contra os grupos que têm se manifestado.

Se você é uma das pessoas que diariamente navega na internet e está acompanhando as notícias por aqui, talvez não tenha tanta noção disso. Pelo menos eu, não tinha. Até essa manhã. São essas mesmas pessoas, que não caíram em si e criticam a ação daqueles que finalmente passaram do conforto de seus lares, à rua. Se percebessem o quão vítimas são, provavelmente olhariam com outros olhos. E apoiariam a causa (que não são só os míseros R$0,20).

Prova disso, é a própria Folha de São Paulo. Na quarta-feira (12/06) a manchete principal dizia “Contra tarifa, manifestantes vandalizam centro e Paulista”. Na quinta (13/06), “Governo de SP diz que será mais duro contra o vandalismo“. Acontece, que na noite desta mesma quinta-feira, 15 jornalistas que cobriam os eventos foram feridos pela PM, dos quais 7 trabalham para o citado jornal. E não é que no dia seguinte, uma outra visão da coisa se expunha?! “Polícia reage com violência a protesto e SP vive noite de caos”. De vândalos, passaram a protestantes. Coincidência?

Enquanto isso, parecendo voltar às décadas de regime militar no Brasil, Rede Globo e outros veículos de comunicação, partem para o lado oposto e publicam reportagens do tipo “‘Manifestantes pagos para isso’, diz Agnelo sobre ato contra Copa no DF“.

É por isso que venho fazer um pedido um pouco além dos que eu tenho visto por aí. Não apenas se informe. Passe adiante essas informações, porque ainda tem muita gente que não sabe a outra face da história. Deixe claro que os vinténs citados pelo sr. Arnaldo Jabor foram apenas o estopim para uma população exausta pelo baixo nível de educação, saúde, transporte e segurança públicos. Sem falar na corrupção…

Adote uma vítima da mídia tendenciosa!

Seguem links:

TV Folha 16/06

Vlog informativo (contém links).

Lista das manifestações

Petição contra lei que criminaliza manifestações

Vídeo sobre a reforma política

Certo e errado – Sobre as pessoas

Como, afinal, deve ser o modo de viver das pessoas?
Numa sociedade com julgamentos fortemente ligados a comportamentos e preferências é comum olhar ao redor e comparar desconhecidos com amigos. Baladeiros são fúteis. Manos, drogados. Nerds, alienados. É tão difícil lembrar que nem tudo é geral?
Felizmente, na busca por dar fim a alguns preconceitos (ou apenas como reflexo da classe social, meios de convivência e educação), me dou conta da diversidade que me cerca.
E enquanto eu percebo que aquele amigo com gostos e estilo de vida bem às avessas do “padrão”, contribuiu pra minha formação pessoal e tem um caráter quase invejável, engravatados distribuem ao mundo a obscurdade do próprio ser. Enquanto o verdadeiro bom exalta seus defeitos, o falso esconde a má personalidade sob as poucas qualidades.

Que mundo é esse, man?

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Lembrete

Sem saber ela fez de mim um vulcão por alguns instantes. Ouvir um “não” que ouse lhe botar fim aos sonhos te põe em brasas como fiquei naquele momento.
Brotaram o ódio e as lágrimas nos olhos. Ecoava em meus ouvidos o “NUNCA”. Como ousou? Nunca também é tempo demais e não, eu não estou disposta a esperar.

Só tenho medo de pensar que posso tropeçar e cair daqui dois passos.

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Melan corria

Uma palavra sequer. Nem um olhar fixo. Apenas os olhos repousados sobre o que havia a frente. Repousados porque cansados.

Depois do diagnóstico, ao invés de sentir um peso menor, pareceu-lhe que uma bigorna caíra sobre os ombros.
Para onde ir? Como fazer? O que dizer?
E mesmo cambaleando, Melan corria.

Embalagem pra dois

Embalagem pra dois

– Doutor, voltei. Voltei porque tenho mais pra dizer. Dizer que eles estão no meu pé outra vez.

“Querem que eu dê um nome. Mas não é bicho, nem gente. Como faço, doutor? Como me livro disso?

Não tem nome. Só é. E é bom. Sem nomenclatura. Não tem Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero ou Espécie. Se for pra encaixar em algum lugar pode não dar certo. Algumas coisas devem ficar como estão, já que são feitas de um material muito sensível.

Fale pra eles, doutor, que é melhor assim. Conte que essa é nossa maneira de estar feliz. Não precisando de rótulos.

Deixe claro que podemos andar por aí sem pendurar uma plaquinha no pescoço, já que ela não determina nada. Já que quase nada na vida é determinante.

Por fim, doutor, explique pra ele. Pra que não se preocupe com isso ou aquilo, agora ou depois. Que meu único invólucro seja seu abraço.”

Limites existem?

Caso você não saiba, sou estudante de Arquitetura e Urbanismo. Caso não saiba também, é necessário desenhar bastante durante o curso. O post de hoje é inspirado em um comentário que ouvi ontem mesmo de um dos meus colegas de classe.

Enquanto eu mostrava um desenho incompleto e dizia que demoraria para terminar, ele me disse:

– Ah! Mas assim.. é claro que você vai demorar!

Não que o desenho esteja perfeito e que eu tenha dado o meu máximo por ele. Longe disso, aliás. Mas essa frase me fez repensar sobre o assunto “esforço”. O quanto uma pessoa se aplica e se esforça pra fazer o que quer que seja? Me lembro de conversas com minha irmã sobre desenho mesmo.

Quando éramos crianças/pré adolescentes, não raramente a professora nos pedia para desenhar algo durante a aula. Os amigos sempre nos procuravam pra pedir auxílio. Nunca vi problema algum. Uns pediam conselhos, outros queriam logo que desenhasse por eles. Da maneira que fosse, eu ajudava.

Mas hoje, um tanto quanto mais amadurecida, percebo que isso é constante. Algumas dessas crianças cresceram e continuaram com o mesmo comportamento. Querem, mas não se esforçam para chegar ao seu objetivo, por menor que ele seja. Não dão o melhor de si por algo que parece simples porque sentem uma preguiça misturada com insegurança.

E olha que não estou falando de grandes feitos! Aperfeiçoar-se em algum aspecto, mesmo que lentamente, requer esforço. Se não consegue ser engajado em prol de algo para si mesmo, ok. Mas tente. Devagarinho. Não é possível que seja impossível.

Não sei se é meu jeito, meu gênio ou pelo meu signo (não acredito muito nisso, mas até que tem umas coincidências de características por aí), mas não consigo aceitar que uma pessoa não faça o mínimo esforço para alcançar ao menos uma parcela daquilo que admira em outra pessoa.

E assim vou eu. Crítica e com preguiça de incontáveis coisas…

Pêndulo

Enquanto estou aqui sentada nessa sala de espera meus pensamentos oscilam em curtos períodos e, consequentemente, em alta frequência.
Ultrapasso o equilíbrio do meio termo e ando de um lado pro outro. Agora meu pessimismo vai preparando meu subconsciente para o fim.
No próximo instante vou deixando um sorriso pronto. No seguinte, estarei sentada na sarjeta com os olhos fixos em ponto algum, enquanto procuro uma explicação pros meus problemas.
No fundo, talvez até na superfície, mesmo, eu sei que tudo isso é em vão. Porque o mundo é grande e complexo demais. Está fora do meu alcance controlar o que não me pertence.
Sei que o que me resta é esperar o diagnóstico. Repondo as gotas de paciência que perco pelo caminho. Contendo meus impulso mais ávidos. Não sendo idealista nem dramática demais.
E enquanto nada acontece, gotas escorrem sobre as maçãs do rosto. São palavras silenciosas escapando, incontidas. Pertencentes a quem ao invés de louvar o próprio autocontrole, agoniza pensando na hipocrisia que isso pode parecer.

Relax and Wait

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que os conselhos/recomendações abaixo expressam minha opinião, porém, não significam que eu seja capaz de segui-los. Mesmo assim, achei válido escrever.

  

A maior parte dos seres humanos (se não todos) sofre com uma coisa chamada “ansiedade”. Seja qual for o motivo, nas mais variadas faixas etárias, qualquer um de nós está sujeito a senti-la.
Não sei ainda se acredito nessa coisa de destino, mas, de alguma forma, acho que as coisas “são” e pronto. Não são admitidos “mas e se…”, “se tivesse feito…”. O tempo e as oportunidades passam. Os acontecimentos ocorrem e não há possibilidade de refazê-los ou impedi-los, tampouco de adiá-los ou adiantá-los. É claro que isso não é uma lei. Mas serve em inúmeras situações cotidianas. Nesses casos, resta nos preparar o melhor possível (se for previsível) e esperar.
 
Sua nota na prova não será maior se você corrigir antes pelo gabarito. Dar F5 na sua caixa de e-mail não fará com que a resposta da entrevista de emprego chegue antes.
 
Como diz a música: “O tempo leva pra passar/O tempo que o tempo leva pra passar“. Aproveite o momento de espera e distraia-se. Retome a leitura daquele livro. Tire o pó da sua pilha de DVD’s. Pesquise novas bandas na web.
E enquanto isso, contenha suas expectativas.
 
Como eu disse, escrever não quer dizer que eu siga. Mas vale a pena tentar.